Dos Cartões Perfurados à Inteligência Artificial

50 anos de uma vida dentro da revolução informática

Autor: Francisco António dos Santos Gonçalves
Coautoria editorial: Augustus
Ano: 2026
Género: Autobiografia tecnológica, informática e história pessoal da computação


Sinopse

Dos Cartões Perfurados à Inteligência Artificial é o relato, na primeira pessoa, de cinquenta anos da minha vida dentro da revolução informática.

A minha história começa em 1975, quando, aos dezassete anos, iniciei a formação em informática e programação. Naquele tempo, um programa podia existir fisicamente num maço de cartões perfurados de 80 colunas. Aprendi COBOL e IBM Assembler, trabalhei com processamento batch em IBM System/360 e descobri muito cedo uma sensação que nunca mais me abandonaria: eu tinha encontrado aquilo para que parecia ter nascido.

Desde então atravessei sucessivas gerações tecnológicas. Programei terminais inteligentes ICL 1501 em CDE/BTL, trabalhei com fitas magnéticas e mainframes, desenvolvi software de sistemas na ICL, construí interfaces e drivers, programei em Assembler, Pascal, COBOL, C, C++, Shell, Perl, Java, JavaScript e Python, e acompanhei a evolução das comunicações desde os protocolos proprietários ICL e IBM até X.25, ISDN e TCP/IP.

Vivi a chegada do Unix, a expansão das bases de dados relacionais, a transformação das telecomunicações, a generalização do Linux, a virtualização dos centros de dados, a Web como plataforma universal, a visão computacional e, finalmente, a inteligência artificial.

Ao longo deste percurso trabalhei em sistemas para banca, seguros, transportes, retalho, indústria e organismos públicos. Passei da programação à análise e arquitetura de sistemas, das aplicações à infraestrutura, e da infraestrutura física à virtualização e à alta disponibilidade.

Já numa fase mais recente da minha vida, voltei a construir sistemas também pelo puro prazer de compreender e experimentar: o servidor Voltaire, ferramentas de gestão KVM/libvirt, sistemas de segurança, videovigilância inteligente, reconhecimento de imagem, containers, serviços próprios e experiências com inteligência artificial local.

Este livro não pretende ser uma história académica da informática. É a história de alguém que teve o privilégio de viver grande parte dessa transformação por dentro — programando, instalando, integrando, depurando, arquitetando e aprendendo.

Quando olho para trás, quase todas as tecnologias que encontrei mudaram. Uma coisa, porém, permaneceu intacta: a curiosidade.


Sobre o Autor

Sou Francisco António dos Santos Gonçalves, programador e engenheiro de sistemas de informação por vocação, com uma vida profissional iniciada nos anos 1970.

Ao longo de cerca de cinco décadas trabalhei em desenvolvimento de software, sistemas operativos, comunicações de dados, telecomunicações, bases de dados, infraestrutura, alta disponibilidade, virtualização, Linux, Web, visão computacional e inteligência artificial.

Comecei num mundo de cartões perfurados, memória escassa e processamento batch. Hoje continuo a experimentar tecnologias abertas, virtualização, automação, segurança e IA local.

Apesar de ter desempenhado funções de análise, arquitetura e infraestrutura, continuo a reconhecer-me sobretudo numa palavra: programador.

Programar moldou a forma como penso. Perante um problema, procuro estados, relações, dependências, exceções e caminhos possíveis. Tento decompor a complexidade até encontrar uma estrutura que possa compreender e controlar.

O código nunca foi para mim apenas uma sequência de instruções. É uma forma de pensamento.


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🧭 Excerto

“O código soa na minha mente como música e sai pela ponta dos meus dedos como se a minha mente já o tivesse escrito.”

Quando comecei a programar, não existiam computadores pessoais sobre as secretárias. Um programa era preparado em cartões perfurados, entregue para processamento e, perante um erro, podia ser necessário esperar pelo ciclo seguinte para voltar a tentar.

Aprendi assim uma disciplina que me acompanharia durante toda a vida: pensar antes de executar.

Cinquenta anos depois, trabalho com máquinas virtuais, containers, visão computacional e inteligência artificial. Entre esses dois extremos existe uma longa sequência de tecnologias, linguagens e sistemas que nasceram, dominaram uma época e, muitas vezes, desapareceram.

Mas para mim há uma continuidade entre o jovem que procurava fazer caber um algoritmo na memória limitada de um terminal inteligente e o homem que hoje experimenta modelos de inteligência artificial numa infraestrutura própria.

A máquina mudou.

A curiosidade não.


🕰️ Uma viagem de 50 anos

1975–1977 — Informax
Comecei pela formação em COBOL e IBM Assembler, cartões perfurados e processamento batch em IBM System/360.

1978 — ICL 1501, CDE/BTL e Confelis
Passei pela análise funcional e orgânica, recolha inteligente de dados, fitas magnéticas e programação de muito baixo nível. Desenvolvi uma rotina para cálculo de raízes em equipamentos sem capacidade nativa para o fazer e participei no sistema de gestão de stocks da Confelis.

1980 e anos seguintes — ICL Computers
Entrei no universo internacional da engenharia de sistemas, trabalhei em software de sistemas, desenvolvi um Command Line Interpreter e trabalhei em comunicações compatíveis com IBM 2780/3780.

Décadas de 1980 e 1990 — Unix, redes e sistemas empresariais
Trabalhei com COBOL, Pascal, C, C++, Shell e Perl, drivers, periféricos, banca, seguros, transportes e retalho. Acompanhei Unix System V, X.25 e a evolução das comunicações de dados.

1994–2001 — Software e telecomunicações
Na CodiSoft e na Isiware trabalhei em software, arquitetura de sistemas, VoFR, VoIP, bases de dados e integração tecnológica.

2001 — SolSuni
Regressei a ambientes COBOL/Unix e à integração entre software, equipamentos e processos operacionais.

2002–2010 — BANIF e virtualização
Trabalhei em infraestrutura de TI, alta disponibilidade e consolidação de mais de duzentos servidores Intel numa arquitetura virtualizada muito mais concentrada.

2014 — A Web como plataforma
Desenvolvi soluções Web com Java e JavaScript, acompanhando a transformação do navegador numa plataforma universal de aplicações.

2019 — SUREIA e visão computacional
Trabalhei com Python, PostgreSQL, TensorFlow, OpenCV, Keras, YOLOv3 e Raspberry Pi, entrando no universo da visão computacional e do reconhecimento facial.

2024–2026 — Voltaire e inteligência artificial local
Construí e desenvolvi uma infraestrutura pessoal baseada em Linux, KVM/libvirt, virtualização, segurança, videovigilância inteligente, Docker, automação e experiências com IA local.


Nota do Autor

Não escrevi este livro por nostalgia tecnológica.

Escrevi-o porque tive a oportunidade rara de atravessar várias eras da computação e porque acredito que existe valor em recordar como chegámos até aqui.

Conheci uma informática em que cada byte contava. Vi nascer sistemas que hoje parecem arqueologia tecnológica e vi ideias outrora reservadas à ficção científica tornarem-se ferramentas quotidianas.

Se alguma conclusão retiro desta viagem, é simples: nenhuma tecnologia é definitiva.

O conhecimento técnico envelhece. A curiosidade, se for alimentada, não.


⚖️ Licença

Este livro encontra-se sob a
Creative Commons Atribuição–NãoComercial–PartilhaIgual 4.0 Internacional.

“A tecnologia mudou radicalmente. A curiosidade que começou aos dezassete anos permaneceu a mesma.”


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